Uma Segunda Adolescência |
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Como os adolescentes, eles têm sonhos e estão dispostos a vivê-los, rebelam-se contra a vida que levam e questionam seus valores. Querem trocar de cidade, de emprego, de parceiro. Como os adolescentes, estão passando por um turbilhão hormonal que provoca constantes flutuações de humor. Assim como os adolescentes não querem virar adultos nem ser tratados como crianças, eles não admitem ser chamados de velhos. E, como os adolescentes, têm poder para mudar. Com uma diferença: sua força não é física, mas fruto da maturidade. Não se desgastam com coisas pequenas porque sabem ponderar sobre o que realmente vale a pena.
Entre a meia-idade e a terceira idade, a turma que está chegando aos 50 anos vive uma segunda adolescência. É assim que os médicos americanos estão definindo essa etapa madura da vida no século XXI. 'Algo de revolucionário tinha de acontecer quando a geração dos baby boomers envelhecesse', disse a ÉPOCA Mark Freedman, consultor do governo americano para assuntos de maturidade, autor do best-seller PrimeTime: How Baby Boomers Will Revolutionize Retirement and Transform America (Fase Nobre: Como os Baby Boomers Vão Revolucionar a Aposentadoria e Transformar os Estados Unidos). Os boomers são a geração que nasceu depois da Segunda Guerra Mundial e protagonizou o movimento hippie, a revolução sexual e a feminista. 'Ao invés de diminuir o passo, eles estão acelerando, correndo atrás de novos objetivos: uma segunda carreira, outro parceiro, a concretização de um sonho de infância', explica Freedman. 'Querem curtir os anos de bônus que os avanços da ciência lhes proporcionam.'
O termo adolescência surgiu há um século para designar a etapa entre a infância e a fase adulta. Naquela época, a expectativa de vida era de 50 a 60 anos. Hoje, é de 80 a 90. Portanto, não faz mais sentido atribuir a uma pessoa de 50 comportamentos e expectativas relacionados ao fim da vida. Essa faixa etária, atualmente, está preparada para novos vôos. Depois de cumprir as obrigações de adulto - construir uma carreira, formar uma família, pagar a casa própria e a escola das crianças -, homens e mulheres chegam à maturidade numa forma física e emocional diferente da de seus pais. Com o empurrão dos últimos recursos da medicina, têm tempo, dinheiro e disposição para, finalmente, curtir a vida como quiserem. 'Eles desenvolvem uma nova identidade e descobrem outra carreira, outros parceiros e prazeres na vida', explica a socióloga Phyllis Moen, professora da Universidade de Minnesota, no livro Handbook of the Life Course (Guia do Curso da Vida). 'A maioria se aposenta porque quer fazer outras coisas, não simplesmente abandonar um emprego chato.'
Não faltam exemplos provando que o mesmo ocorre no Brasil. Rogério Woisky, cirurgião plástico de 53 anos, e Célia Prado, professora aposentada de 57, afirmam estar na melhor fase de sua vida. Com a filha casada e estabilidade financeira, viajam mundo afora em busca dos melhores locais para praticar alpinismo e mergulho. 'Sempre achei que estaria morto aos 50 anos', ironiza Rogério. 'Quando passei dos 40, gordo e estressado, vi que estava na hora de cuidar da saúde se quisesse viver mais e melhor. Hoje, em forma, posso fazer esportes radicais. Curto a adrenalina do risco e o prazer da conquista
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